Coluna Extra: Conteúdo
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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Uma luta perdida contra o copia e cola?

No Roube como um artista, sobre o qual falei no post anterior, há um capítulo que recomenda que você seja chato. E eu sou chato, muito chato com algumas coisas, principalmente no dia a dia na redação. E o que mais me incomoda é o copia e cola desenfreado. Essa cultura sacana do "conteúdo de internet não tem dono". Tem sim. Tem dono. Tem investimento. Tem tempo. Tem dedicação. Tem empenho. Tem custo de produção. E sobra falta de respeito entre colegas e entre veículos. Mas mesmo que eu insista em correr atrás, enviar notificações para quem chupa conteúdo dos veículos online do Grupo RIC, confesso que estou cansado dessa luta. Sábado tive mais um exemplo de que esta é uma luta perdida.

Sexta-feira (11), houve um incêndio numa casa no bairro Saco dos Limões, duas casas atrás da minha. Por acaso, uma equipe do Notícias do Dia estava com os bombeiros que atenderam a ocorrência e o repórter Leonardo Thomé repassou as informações para a redação online que publicou o seguinte texto às 23h47:
Incêndio atinge casa no Saco dos Limões, em Florianópolis
Dentro da residência estavam um casal e duas crianças, que conseguiram sair a tempo

Um incêndio mobilizou os bombeiros e assustou moradores na noite desta sexta-feira (11), no bairro Saco dos Limões, em Florianópolis. O fogo atingiu uma casa que fica na esquina da rua Juan Ganzo Fernandes e com a rua Duque de Caxias. Quatro pessoas, dois adultos e duas crianças, estavam na residência quando as chamas começaram em um dos quartos.

A família conseguiu sair a tempo e foi abrigada por vizinhos. Um morador ainda tentou ajudar a controlar o fogo, mas acabou se ferindo levemente na perna. Ele foi atendido pelos bombeiros e levado ao hospital Celso Ramos. Os bombeiros apuram o que motivou o incêndio.

* Com informações do repórter Leonardo Thomé.

Sábado (12), estava na redação do RIC Mais no Morro da Cruz no plantão do esporte e também da cobertura da nova tentativa de invasão de um novo terreno na SC-401. A TV estava ligada na RBS quando ouço a chamada sobre o incêndio no Saco dos Limões. Fui prestar atenção já que é meu bairro, minha vizinhança. E para minha (desagradável) surpresa o texto da nota coberta (não havia repórter no local; usaram imagens de celular) era praticamente o mesmo publicado no ND Online no dia anterior. Há pequenas alterações, mas trechos inteiros iguais. Vergonha alheia muito grande do profissional que apela para esse tipo de expediente. O link para a reportagem está aqui e transcrevi abaixo o texto da nota para que vocês façam a comparação.
Incêndio no Saco dos Limões assusta moradores da região

Um incêndio ontem à noite numa casa no Saco dos Limões, em Florianópolis, mobilizou os bombeiros e assustou os moradores do local. Dois adultos e duas crianças estavam na residência quando o fogo começou em um dos quartos, mas a família conseguiu sair a tempo e foi abrigada por vizinhos.

Um morador tentou controlar as chamas, mas acabou se ferindo levemente na perna. Ele foi atendido pelos bombeiros e levado ao hospital Celso Ramos e já recebeu alta. Os bombeiros apuram as causas do fogo.

Repassa a pergunta do título do post para os colegas: estou numa luta perdida contra o copia e cola?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Em busca do cálice sagrado para viabilizar o Rei Conteúdo

Semana passada, em Florianópolis, participei do F5, evento da ABRADI-SC que discutir formatos inovadores de mídia online. Ontem e hoje, em São Paulo, acompanho as discussões do 9° Congresso Nacional de Jornais, da ANJ, que tem como destaque as formas de cobrança para a oferta de conteúdo online de qualidade. Ou seja, seja do ponto de vista das agências digitais, seja do ponto de vista dos publisherers, todos estão em buscas de caminhos para faturar com o conteúdo na internet.

Não há modelos fechados nem de mídia nem de forma de cobrança. Há, sim, boas ideias e ferramentas, como o Boo-Box, e iniciativas puxando o barco na cobrança de conteúdo, como o paywall do New York Times (que Folha de S.Paulo e Zero Hora aplicam aqui no Brasil). A escolha de qual caminho seguir vai depender sempre do que o dono do conteúdo tem e do que deseja alcançar. Há tempo para experimentar, mas não para delirar com ações que fogem do perfil da empresa, do público que pretende conquistar ou ampliar.

De todas as discussões que ouvi até aqui - do F5 ao Congresso da ANJ - há uma certeza: o conteúdo é Rei, como repetiram palestrantes nos dois eventos. É o que move o mercado digital acima de tudo. O desafio lá e cá é construir o castelo seguro para que o reinado tenha uma qualidade melhor. Ou ainda melhor, para sermos otimistas com o atual cenário.

O modelo e as mudanças no New York Times

A partir de material elaborado pela assessoria de imprensa da ANJ (Associação Nacional de Jornais), destaco abaixo os principais pontos da palestra de Michael Greenspon, gerente geral do Departamento de Serviço de Notícias do New York Times, na abertura do 9º Congresso Nacional de Jornais.



Paywaal
O sistema implementado pelo Times no digital, diferentemente dos sistemas adotados pelo inglês The Guardian (baseado em open journalism) e pelo Washington Post (baseado em crowdsourcing) – dois sistemas também inspiradores, hoje, para o setor jornal –, fundamenta-se em assinaturas digitais (paywalls) em plataformas diversas, conforme as necessidades dos assinantes.

Qualidade do conteúdo
Michael Greenspon acredita que o jornalismo pode ser majoritariamente pago por audiências que valoriza uma “elevada qualidade de conteúdos”. “O primeiro passo foi reestruturar o negócio, reduzindo custos, preservando, porém, a redação central”, diz Greenspon. “Por meio de pesquisas concluímos que a qualidade do conteúdo jornalístico interessa aos ‘cidadãos do mundo’ e, mais que isso, é um grande negócio.”

Do leitor
As pesquisas feitas pelo jornal indicaram que cerca de 40% da audiência do digital estava disposta a pagar por conteúdo online. “Hoje, 75% dos nossos assinantes no impresso usam (e pagam) pelo digital também”, revelou Greenspon. Isso ocorreu em um intervalo de tempo relativamente curto. Em 2009, quando surgiu o iPad, o Times se concentrava apenas na web. “Ficou evidente a disparidade entre o potencial dos tablets e o potencial dos smartphones, e apostamos nessa diferença.”

Um novo Times
O Times passou de “jornal tradicional em papel que também publicava no online” para “serviço de notícias e notícias sindicadas” com atuação em múltiplas plataformas e atento ao público majoritariamente jovem dos usuários de redes sociais.